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Petrobras vai oferecer 1500 bolsas de iniciação científica para estudantes negras do Ensino Médio
Ação afirmativa inédita pretende ampliar inclusão de mulheres negras em carreiras STEM
Pablo Valadares
Cerimônia de assinatura da parceria entre Petrobras e CNPq no Projeto Inspiração
Download Cerimônia de assinatura da parceria entre Petrobras e CNPq no Projeto InspiraçãoParceria inédita da Petrobras e o CNPq vai oferecer bolsas de iniciação científica para 1500 jovens negras durante os três anos do ensino médio. A gerente geral de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação em Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Roberta Alves Mendes e Olival Freire Júnior, presidente do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), assinaram nesta terça-feira, 30/06, em Brasília, a parceria no Projeto Inspiração. A iniciativa terá o investimento de cerca de R$ 32 milhões da Petrobras.
O projeto Inspiração vai priorizar alunas pretas e pardas do ensino médio regular, em contexto de vulnerabilidade social, e estimular a formação nas carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e nas pesquisas voltadas ao desenvolvimento da indústria de óleo, gás e energia no Brasil. O projeto vai acompanhar os indicadores como frequência, aproveitamento, produtividade e evasão para avaliar o impacto educacional e científico numa agenda de formação de talentos e inclusão no setor de energia.
A iniciativa se pautou num diagnóstico crítico da formação STEM no país, marcado por baixo desempenho educacional, evasão e reduzida participação em cursos estratégicos para inovação. Como resposta, O projeto Inspiração prevê financiamento de bolsas de estudo de iniciação científica ao longo dos três anos do ensino médio.
As estudantes selecionadas para receber a bolsa auxílio de R$ 550,00 deverão criar currículo lattes, desenvolver artigos e apresentar seus trabalhos anualmente. O CNPq lançará edital paras universidades com linhas de pesquisa que fazem um paralelo com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, abordando os temas: Como organizar e transformar ideias em Inovação; Como produzir energia de forma mais sustentável; Tecnologias que transformam a indústria de energia; Tecnologias para melhorar a vida das pessoas; Passado, Presente e Futuro e as Transformações do planeta. O projeto tem o potencial de beneficiar mais de 700 comunidades vizinhas às unidades da Petrobras em 141 municípios em 16 estados.
O projeto Inspiração integra ainda um projeto de pesquisa do Centro de Pesquisa da Petrobras no tema Mobilização e Inclusão de Jovens nas Carreiras STEM, que buscará propor uma política de inclusão para jovens socialmente vulneráveis como parte das iniciativas de Transição Energética Justa.
A ideia é apresentar medidas de enfrentamento dessas desigualdades que se refletem no quadro da empresa. Entre os profissionais de carreira STEM na Petrobras, 87% são homens, sendo que 32,75% se autodeclaram pretos ou pardos. Entre as mulheres, 1,19% são pretas e 3,38 são pardas, totalizando 4,57%.
Carreira STEM no Brasil
No Brasil, as áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) são consideradas estratégicas para inovação, produtividade e competitividade. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), embora o país tenha avançado no acesso à educação, os resultados de aprendizagem seguem baixos desde a educação básica, comprometendo toda a trajetória posterior de formação técnica, superior e profissional. A principal conclusão é que o problema não está apenas no volume de matrículas, mas na baixa qualidade do aprendizado, na evasão e na dificuldade de formar talentos em escala compatível com as exigências da transformação digital e da economia do conhecimento.
Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2022), que avaliam o aprendizado de estudantes até 15 anos, mostram que entre 81 países, o Brasil ficou na 65ª posição em Matemática e 61ª em Ciências, com 73% dos estudantes abaixo do nível básico em Matemática e 55% abaixo do básico em Ciências. Menos de 3% dos estudantes brasileiros alcançaram os níveis mais altos em Matemática e menos de 6% em Ciências. No ensino técnico e superior, o cenário segue desfavorável. Entre os graduados, só 15,6% concluem cursos STEM, o que coloca o Brasil na 47ª posição entre 48 países analisados.
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