Diretor Fernando Melgarejo detalha resultados de 2024 da Petrobras

Postado em 26/02/2025

Texto copiado!

A Petrobras divulgou, nesta noite de 26 de fevereiro, os resultados do ano de 2024. Para entender melhor o desempenho da companhia, a Agência Petrobras entrevistou o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo.

- Na sua visão, quais os destaques do resultado da Petrobras em 2024?

A Petrobras encerrou 2024 com resultados consistentes, atingindo a meta de produção de óleo e gás, apresentando um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões (US$ 7,5 bilhões) e um expressivo Fluxo de Caixa Operacional, de R$ 204 bilhões (US$ 38 bilhões), mesmo em um cenário externo com fatores adversos, como a desvalorização do preço do petróleo Brent no mercado internacional e do crackspread do diesel.

O impacto positivo desse desempenho vai além da Petrobras: são benefícios concretos para a sociedade brasileira. Apenas em tributos pagos aos cofres públicos, a companhia recolheu R$ 270 bilhões, segundo maior recolhimento nos últimos 10 anos, reforçando seu importante papel na economia nacional. Em 2024, a Petrobras gerou um retorno total ao acionista da ordem de 20% e pagou aos seus acionistas um total de R$ 102,6 bilhões em dividendos.

- A Petrobras realizou um volume expressivo de investimentos em 2024, maior que previsto para o ano (guidance). Quais os motivos dessa realização tão alta?

A Petrobras possui excelentes projetos com alto retorno e grande potencial de gerar riquezas para os seus acionistas e para o Brasil. Para que esses projetos saiam do papel, precisamos investir, aportar recursos para que as obras sejam executadas da melhor forma e para garantir que efetivamente entrem em operação, no prazo esperado ou até mesmo de forma antecipada. Nesse sentido, em 2024, investimos US$ 16,6 bilhões (Capex), um aumento de 31% em relação ao ano de 2023. Esse crescimento significativo ocorreu, principalmente devido a investimentos em grandes projetos do pré-sal.

Esse investimento realizado em 2024 foi 15% acima da projeção (guidance) divulgada em agosto de 2024. O aumento do Capex se deu principalmente no 4T24, refletindo um esforço da Petrobras para reduzir a diferença (gap) entre a evolução física e financeira das plataformas do Campo de Búzios. Esperávamos que essa redução do descasamento fosse ocorrer em 2025, mas atuamos fortemente na gestão contratual e a solução foi antecipada totalmente para 2024. Implementamos diversas ações de gestão contratual com o objetivo de assegurar o cumprimento de pacotes de entregas físicas que habilitam marcos de pagamento, que nos permitiram intensificar o avanço financeiro no último trimestre. Com isso, a Petrobras ganha na redução de riscos e proporciona um ambiente propício ao aumento do potencial de antecipações na entrega dos projetos. Seguimos extremamente comprometidos com as metas de produção e com a execução do Plano de Negócios 2025-2029.

- De que forma a variação do Real (R$) frente ao Dólar (US$) influenciou nos resultados da companhia?

O resultado da Petrobras em 2024 foi impactado predominantemente por um item de natureza exclusivamente contábil: a variação cambial em dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior. Esse item gerou uma variação negativa de US$ 10,9 bilhões no resultado anual da Petrobras em relação a 2023.

No entanto, é importante ressaltar que se trata de operações financeiras entre empresas do mesmo grupo, gerando efeitos opostos que, ao final, se equilibram economicamente. Isso porque a variação cambial nestas transações entra no resultado líquido da holding no Brasil e impactou negativamente o lucro de 2024. Ao mesmo tempo, houve impacto positivo direto no patrimônio.

Sem esse, que foi o principal impacto, e os demais eventos exclusivos, o lucro líquido do ano seria de R$ 103 bilhões (US$ 19,4 bilhões).

- Qual foi o resultado específico da área de área de Refino, Transporte e Comercialização da Petrobras em 2024?

O mercado, de forma geral sofreu uma queda de quase 40% no crackspread do diesel, nosso principal produto, em 2024 em relação a 2023. Observamos um mercado de diesel com alta volatilidade ano passado. Esse cenário impactou mundialmente todas as empresas do setor.

Mesmo com um cenário desafiador, a área de Refino, Transporte e Comercialização da companhia, que, entre outras atividades, realiza as operações de venda de derivados, apresentou um EBITDA - que é uma medida de geração de caixa – de R$ 31,6 bilhões (US$ 5,9 bilhões) em 2024.

Os consistentes resultados reforçam o cumprimento da estratégia comercial ao longo de 2024 da Companhia. Essa estratégia considera as suas melhores condições de produção e logística para a precificação do diesel e da gasolina na venda para as distribuidoras. A Petrobras praticou preços competitivos frente a alternativas de suprimento, mitigando a volatilidade do mercado internacional e da taxa de câmbio.

- Considerando o resultado de 2024, a Petrobras aprovou o pagamento de dividendos?

A decisão de pagamento de dividendos, sejam eles ordinários ou extraordinários, é definida com base no fluxo de caixa livre da companhia e nos fluxos futuros, conforme estabelece a Política de Remuneração aos Acionistas da companhia. Como já dissemos, o lucro da Petrobras foi impacto por efeitos externos ao caixa da companhia. A forte geração de caixa no ano permitiu pagar o volume de dividendos anunciado.

Quando há um descasamento entre resultado contábil e fluxo de caixa, usamos a reserva como mecanismo contábil para registrar o pagamento de dividendos no balanço, mas o que define se há dividendos é o fluxo de caixa e o nível de investimento, além da estrutura de capital da companhia.

Seguiremos aplicando a Política de Remuneração da Petrobras, compartilhando os ganhos financeiros com os acionistas e a sociedade, sem comprometer a capacidade de investimento da companhia e a sua sustentabilidade financeira.

- Quais as perspectivas da Petrobras para 2025?

A Petrobras seguirá investindo em projetos rentáveis e comprometida com a execução do Plano de Negócios em 2025. Nesse sentido, obtivemos recentemente o primeiro óleo do FPSO Almirante Tamandaré e iremos, ainda em 2025, começar a operar o FPSO Alexandre de Gusmão e a P-78. Também estamos trabalhando no ramp up dos dois sistemas que iniciaram suas atividades no final de 2024. Esperamos um incremento de 100 mil de barris de óleo por dia na produção da Petrobras.

Na área de exploração, a descoberta de novas áreas e o desenvolvimento das atuais devem propiciar um incremento na relação entre as reservas provadas e a produção, indicador em que a Petrobras já apresenta excelentes números.

Também vamos ampliar a capacidade do nosso parque de refino e melhorar a qualidade dos produtos. Teremos, em 2025, um incremento de 25 mil bpd de capacidade de processamento com a conclusão do revamp do Trem 1 da RNEST, já considerando a entrada da Unidade de SNOx em 2024. E o novo HDT da Replan contribuirá com mais 63 mil barris por dia de Diesel S-10. O segundo módulo da UPGN do Complexo Boaventura adicionará 10,5 milhões de m³/dia à nossa capacidade de gás.

Esses e outros diversos projetos têm o potencial incrementar as receitas e sustentam nossa confiança de que estamos no caminho certo, comprometidos com a geração de valor, com a sociedade e com nossos acionistas.

Notas

Downloads

Texto desta matéria

Download do texto

Fotos desta matéria

Download das fotos

Vídeos desta matéria





Canais

Idioma

Acessibilidade

Escolha um Canal:

Faça uma busca:

Sugestões de busca

Link do botão
Ícone do botão Exibir mais resultados
Ícone de carregamento

Mais pesquisados

Preço dos combustíveis

Pré-Sal

Time Petrobras

Acessibilidade

Alto-Contraste

Desligado

Ligado

Texto Grande

Desligado

Ligado

Idioma:

Selecione um idioma: